O caminho das pedras

 

A pedra acertou a minha cabeça em cheio, na testa, como se eu fosse um desses alvos pendurados nas paredes dos pubs nórdicos.

O menino achou tão linda a ave no Chapéu-de-Sol que quis chamar a sua atenção; viu a pedra, olhando-a, não teve dúvidas, agarrou-a com entusiasmo e a catapultou com toda a sua ânsia e vontade.

A mulher cansada do dia estafante no trabalho chutava alguns pedregulhos meditativa; ao passar em frente ao banco da praça, observou um que era maior do que os outros, esse, ela chutou com gosto e a pedra rolou e postou-se aos pés de um menino de boné amarelo.

O marceneiro estava desencontrado com a vida, a mulher que outrora fora a companheira de todas as horas, fugira sem nem ao menos deixar um bilhete molhado com lágrimas; sentou-se no banco da praça e passou a brincar com os pés acertando em cheio um pedregulho que rolou um pouco mais além.

O bebê brincava na frente do prédio, a babá que estava pensativa (pensava no encontro de logo mais tardinha) segurou a criança com um braço e no outro tentava falar ao celular, nem percebeu que ao invés de chupar a chupeta a criança chupava uma o pedregulho que  havia pego pelo chão do prédio. Baba e bebe dirigiram-se para fora do prédio e detiveram-se em frente ao banco da pracinha. Enquanto a moça tagarelava ao telefone a criança estava prestes a engolir a pedra. A trágica digestão só não ocorreu porque antes do pequeno degustar o distinto mineral, trocou-o por um carrinho vermelho de plástico esquecido e deixou a pedrinha aos pés do banco. A babá tirou o bebê da praça, fazia muito Sol.

A construção civil para o Paraíba era o maior infortúnio. Sonhava com a carreira de cantor de moda sertaneja. Enquanto o sucesso não vinha, continuava ali, na obra, levando e trazendo pedregulhos para a reforma do prédio como haveria de ser o destino de um interiorano sem estudo como ele.

 Homem rico, riquíssimo. Dono de uma empresa de mineração conhecidíssima em toda grande São Paulo tendo que se prestar a um papelão desses: carregar pedregulho na sua magnífica caminhonete do ano. O suor só não escorria do rosto porque, obviamente, ele possuía ar-condicionado. O Paraíba, seu funcionário, descarregou todo o pedregulho dentro da área do prédio e foi acertar o pedido com o zelador enquanto o rico observava os fundilhos de uma babá muito jeitosa que negligente do bebe que lhe competia cuidar, divertia-se muito com seu aparelho celular.




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