Estupro

Enquanto trazia para mais perto de si a casa da amiga – aproximava-se - escutou gritos secos, sussurros falidos, por detrás do beco logo mais próximo ao poste. Ficou aterrorizada porque pareciam ser condicionados à puxadas violentas de braços de quem faz muita força para largar-se ou para não se deixar largar.

Ficou com medo. O medo esse ser tão transparente. Esse ser tão comum nos dias em que vivemos. Ficou com medo de ajudar, de pedir ajuda, de gritar por socorro. Ao invés disso, sentiu-se retraída, retalhada. Tentou lembrar-se de como se escrevia estupro em inglês. Ela havia ouvido uma vez numa música de rock a palavra, que logo identificou pelo dicionário inglês- inglês que costumava usar quando mais adolescente.

Apertou o passo. Sabia que não era super-heroína, heroína, para salvar a vida de quem quer que fosse. Não tinha nada que ver com aquilo. Cada um é responsável pela violência que cativas. Talvez, a menina, a raptada, estivesse mesmo era procurando por isso, afinal, Deus sabe o que faz.

Quando chegou na casa da amiga, estava pálida. Logo sua querida Doroti percebeu algo de errado:

- Não, não Doroti, nada de errado, tudo bem.

Abriram seus cadernos por sobre a escrivaninha de madeira e puseram-se por cima dos livros, de um jeito despudorado. Logo estavam conversando sobre as banalidades do mundo fútil feminino enquanto outras garotas eram violentadas na rua.

 




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